domingo, 12 de maio de 2013

O FERREIRO ESCRITOR DE IRATI

Leonardo Valenga, filho de imigrantes poloneses, tinha dois sonhos: trabalhar como marceneiro e casar com uma mulher chamada Maria. Em 1921 partiu da colônia São Pedro, próximo a Curitiba, rumo a Irati. Lera no jornal Lud que nesta cidade havia muitas vagas para marceneiro. Mal chegou à estação, ouviu o rumor de serras e bigornas que se espalhavam pelo vale. Imediatamente foi contratado pelo ferreiro João Dziekievicz. E para completar sua felicidade, quem lhe serviu o primeiro almoço, na casa do patrão, foi uma bonita moça chamada Maria Pszedzimirski.
Entre os descendentes de Leonardo e Maria está o ferreiro-escritor Gaspar Valenga. Nasceu em Riozinho no dia 19 de abril de 1923. Durante a infância, com seus amigos de Riozinho, Gaspar corria junto à estrada de ferro, gritando para o trem que passava: “Queremos livros!”. Como ainda não havia estação, o trem não parava. Mas algum tempo depois os passageiros e maquinistas começaram a jogar revistas, livros e os almanaques Capivarol e Biotônico Fontoura.
Em 1938 a estação de Riozinho foi “lamentavelmente demolida, para tristeza de todos que a conheceram e se lembram do burburinho que se assistia, a cada chegada dos trens” (Gaspar Valenga, 2003). No mesmo ano foi instalada a estação de Engenheiro Gutierrez.
Mais de 60 anos depois, Gaspar lançou seu primeiro livro: “Irati: minha vida, nossa história”, sobre a vida de seus pais e da comunidade de Riozinho. Foi o primeiro de uma série de três publicações.
Embora tenha estudado somente até a 3a série do ensino primário, seu texto é fluente e bem-humorado.
Gaspar casou-se com Catarina Kobelarsz, vinda da Iuguslávia em 1924. Aprendiz de Ludovico Paz, ele tornou-se um dos mais conhecidos ferreiros de Irati.
Em junho de 1990 Gaspar foi destaque na revista Família Cristã, num reportagem intitulada “Vida de ferreiro”. Sua história também foi publicada na revista Globo Rural, em 1996, na matéria “Tradição de resistência”.
Valenga presidiu várias associações de Riozinho, tornando-se cidadão benemérito de Irati em 1993. Também é membro da Academia de Letras do Centro Sul - Alacs.

Gaspar escapou por um fio dos combates da II Guerra Mundial. “Quando Hitler ficou sabendo que eu e o Raul Kaminski estávamos nos preparando pra entrar na guerra, disse ‘vamos largar mão desse negócio’, e entregou os pontos”. (Gaspar Valenga, no lançamento de seu livro “Memórias de um ferreiro”, em 18 de abril de 2008)

DE RIOZINHO A GUARAPUAVA
A estação ferroviária de Riozinho foi construída em 1912. No dia 15 de junho de 1928 realizou-se a solenidade de início da construção da estrada de ferro ligando Riozinho ao “futuroso Município de Guarapuava” (A Semana, 1928), com a presença do presidente do Estado, Affonso Alves de Camargo. Devido à Revolução de 1930, as obras foram paralisadas durante alguns anos. Em janeiro de 1938 o jornal O Pharol, de Guarapuava, anunciava que “41 quilômetros da sonhada ferrovia do Oeste estão prontos, em tráfego — portanto, estão se aproximando da nossa terra as pontas dos trilhos”. Para infelicidade dos guarapuavanos, a obra arrastou-se por mais 16 anos. O apito da maria-fumaça ouviu-se naquela cidade somente no dia 17 de dezembro de 1954. A primeira locomotiva foi recebida na Pérola do Oeste com uma pomposa festa.

Um comentário:

Julio Cesar Braga disse...

Tinha que trocar a cor da fonte no texto do Ferreiro Escritor